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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obamamania

“Bush terminou o seu mandato. Viva Obama!” – parece ter sido o grito do dia à volta do planeta. Não é claro se toda esta obamamania deriva (1) dos anticorpos gerados nos últimos oito anos contra Bush, (2) da cor da pele de Obama, ou (3) de méritos demonstrados do novo presidente. Se tivesse de apostar, diria que 60% vem de (1), 30% de (2) e 10% de (3). Afinal, além de ser muito bom discursador, falando de modo claro, poderoso e inspirador, não sei muito mais sobre ele.




Imagem: gawker.com



Rapidamente Bush será esquecido, o bronzeado de Obama deixará de ser novidade e os discursos terão de passar a acções. As revistas que têm censurado a criatividade dedicando repetidas capas ao messias Obama finalmente destacarão outros temas. Inevitavelmente, as decisões do novo presidente, boas ou más, incomodarão sempre alguém. Por muito competente e bem intencionado que possa ser, Obama não cumprirá as exageradas expectativas que todo o mundo parece ter gerado. Afinal, onde é que já se ouviu um povo falar bem dos seus dirigentes? Espontaneamente, em poucos lugares.

De qualquer modo, desejo o maior sucesso ao novo presidente da nação mais poderosa (e, por isso, mais perigosa) do mundo. Sei que é utópico, mas que fantástico seria se as acções dele seguissem o espírito das palavras (“walk the talk”, como se diz por aqui) que hoje partilhou no discurso de tomada de posse. Palavras cheias de bons sentimentos, bons valores, uma visão abrangente do mundo, pacifista, justa e em algum ponto até ecológica. Que tenha a coragem de tomar decisões difíceis (em que talvez alguns tenham de perder para muitos ganharem, ou todos tenham de perder hoje para todos ganharem no futuro), desafiando lobbies, grupos de interesse, financiadores de campanhas, preconceitos, de modo a gerar o máximo de felicidade no mundo. Que tenha humildade para lidar com a imperfeição, dele, dos amigos e dos menos amigos, e para não seguir os impulsos agressivos e belicistas a que os EUA têm habituado o mundo. Que tenha a sabedoria para decidir onde e como deve intervir. Que seja um agente do bem e não ceda ao “lado negro da força”.

Não existem salvadores do mundo, nem da nação. Foi sobre isso que Obama falou hoje, responsabilidade: “O que nos é pedido agora é uma nova era de responsabilidade – o reconhecimento, por cada americano, de que temos deveres para com nós próprios, a nossa nação e o mundo (...)”.

Se o povo estado-unidense acreditar, pode ser que se gere uma profecia auto-realizadora positiva, de responsabilização individual, de optimismo, de mudança para melhor. E quem sabe povos de outros pontos do globo não se inspirarão na mesma onda? Bem precisamos.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

The Twilight Zone

Uma hora de corrida no primeiro dia do ano, em Jersey City. Enquanto batia o meu recorde de temperaturas negativas a correr (–5ºC!), por alguma razão que não consigo recordar (nem poderia?) lembrei-me da Twilight Zone. Tentei lembrar a musiquinha da série. Só me vinha à cabeça a de uma outra série que nunca cheguei a ver (X-Files). Pensei que com certeza a encontraria no Youtube, mas rapidamente esqueci o assunto e voltei a sentir as pontas dos pés a congelar.

Apesar de praticamente nunca ver televisão (é como com o tabaco: só passivamente), à noite vi fazer zapping pelos infinitos canais disponíveis e uma imagem a preto-e-branco chamou-me a atenção. Recordei o episódio durante a corrida e senti-me exactamente num episódio da Twilight Zone: durante todo o dia tinha estado a dar um compacto de episódios da série!





Vi os últimos seis minutos do episódio “Time Enough at Last”. Suficiente para captar a espectacular ironia final, mostrando como vivemos tão apegados a coisas que acabam por manter a nossa felicidade refém. Falta-nos equanimidade para aceitar com serenidade o “bom” e “mau” que nos acontece.

Quem quiser ver ou rever episódios completos da Twilight Zone pode procurar em Fancast ou em IMDb.

Na minha memória, todos são espectaculares e fazem pensar um pouco. Por exemplo, “To Serve Man” obriga-nos a olhar para a humanidade de um ponto de vista externo. E não sei se gosto muito do que vejo. Aqui fica uma versão resumida:



terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Migração livre

“A última vez que você veio aos EUA foi em Dezembro. Como é que eu sei que você não vive aqui?”, perguntou o agente da imigração no aeroporto de Newark. “É uma boa pergunta”, respondi.

Acabou por enviar-me para interrogatório mais detalhado na sala dos suspeitos de crimes contra a humanidade (ou pelo menos contra a “estado-unidensidade”). Eu já tinha preenchido o impresso verde, declarando por minha honra não ser culpado de diversos actos reprováveis (sinceramente, nem li as perguntas, e não me envergonho por isso: tal como qualquer terrorista, já sei que as perguntas são ridículas e que a resposta correcta é “Não”), que mais queriam que eu dissesse?





O agente que me entrevistou a seguir tinha um apelido de origem lusa (um apelido incomum, só recordo que terminava em “eira”). Não achei apropriado comentar, já que tratávamos ali de assuntos muito sérios.

Discutimos quase toda a minha vida com razoável honestidade: o que faço (“consultor freelance” pareceu-me mais apropriado que “reformado”), se tenho um cartão de visita ("não"), até quando vou ficar, como posso ter tanto tempo livre para viajar até aos EUA, se faço tenção de trabalhar nos EUA, o que fazia antes, quanto ganho (até pensei que seria difícil não mentir aqui, mas felizmente ainda ganhei uns salários em 2008, além de alguns juros sobre as minhas poupanças), há quanto tempo estou com a minha namorada, onde nos conhecemos, o que ela faz nos EUA, os telefones dela (verifiquei que ele não tomou nota, não fosse ficar interessado em conhecê-la!), quanto dinheiro trazia comigo, cartões de crédito... se eu corria maratonas (ao detectar um artigo que eu estava a ler sobre os efeitos fisiológicos da maratona)... Vá lá, desta vez não me perguntaram que línguas falava (“árabe, pois claro”) nem se tinha treino militar. Pelo meio interrompeu a entrevista e foi falar com alguém (talvez comentar a minha fotografia “taliban”, com barba de vários meses, no passaporte, e/ou o registo feito em entradas anteriores de eu ter passado pelo Afeganistão em 2003?). A certa altura parecia que tinha esgotado as perguntas e que continuava em dúvida sobre o que fazer comigo.


Curioso, não? Os Estados Unidos da América foram fundados por imigrantes que vieram principalmente da Europa para “colonizar” o “Novo Continente”, esquecendo que o continente só era novo para eles e que já cá havia gente antes. Não muito diferente do que os portugueses fizeram no Brasil e outros lugares, os espanhóis no resto da América Latina, os “australianos” naquela enorme ilha que hoje fecham a tantas chaves... Basta reparar na cor da pele das pessoas em muitos destes lugares para suspeitar de genocídio. Há uns anos sentíamo-nos todos com direito a fazer nossos territórios alheios. Em 1494, portugueses e espanhóis chegaram a dividir o mundo entre eles! Uns com maior sucesso que outros, apoderámo-nos de imensos recursos que agora não queremos partilhar. Hoje abundam as fronteiras fechadas, xenofobismo explícito e implícito, consciente e inconsciente.

O que está em causa não é tanto a integridade nacional (seja isso o que for) ou a segurança pública, mas muito mais a nossa segurança material – a garantia de que vamos manter os “nossos” bens, a “nossa” riqueza. Se nos ajuda a ficar mais ricos, o comércio livre é bom. Se nos obriga a partilhar o que temos, migração livre é má. Não formei uma opinião forte a favor da migração livre [a wikipedia tem um artigo com boas ligações sobre o tema], mas como nómada (certamente muito privilegiado em relação a outros exemplos, como refugiados internacionais tentando escapar de genocídios) não posso deixar de sentir grande simpatia pelo conceito e pensar que certos proteccionismos não parecem muito... humanos. Ou justos.

É verdade que a Declaração Universal dos Direitos do Homem não é famosa por ser seguida com muito rigor, mas, enquanto o artigo 13º estabelece apenas o direito à liberdade de movimentos e residência dentro das fronteiras de cada estado, já o artigo 15º menciona o direito de mudar de nacionalidade (não deixando muito claro até onde deveria ir esse direito).


Pelos vistos ainda não foi inventado um leitor de pensamentos, pois não foi desta que fui considerado persona non grata nos EUA. Com cara de "que se lixe", o agente lá decidiu carimbar os meus papéis enquanto dizia "One important question...". Que mais poderia querer saber?? Como eu já o tinha visto carimbar a papelada, nem cheguei a sentir palpitações nesse momento, pensando que inevitavelmente ele me deixaria entrar. E muda de inglês para português: "De que clube você é?" Sinceramente, suspeito que ele me concedeu entrada no país indeciso, dando o benefício da dúvida por termos algo em comum (além de cabeça, tronco, membros, olhos, cor do cabelo e da pele, pelos vistos a língua e algum pedaço de “portugalismo”). Respondi com sinceridade e um sorriso "Não ligo a futebol". A julgar pelas perguntas no impresso de imigração, quem sabe se ele não me negaria entrada caso eu fosse sportinguista e ele benfiquista?


[Se deixarem de ser publicadas novas bulicenas, pode ser que eu tenha sido entretanto capturado pelos senhores da Segurança da Pátria, do Escritório Federal de Investigação, da Agência Central de Inteligência, ou de alguma outra organização mais obscura cujo nome nem sequer o presidente conhece. Com sorte, irei parar ao centro de torturas de Guantánamo e de lá recambiado para Portugal quando o decidirem fechar.]

domingo, 2 de novembro de 2008

Maratona de Nova Iorque

Missão cumprida! Terminei a maratona de Nova Iorque em 2h57'51”!! Fui 802º entre os 38.096 atletas que terminaram a prova em menos de 10 horas (resultados completos aqui).


Em milhas é mais fácil!

Esta foi, sem dúvida, a mais fácil das minhas cinco maratonas até ao momento. Na melhor forma de sempre (para maratonas), com baixas temperaturas e muito apoio, tudo fica mais fácil: parece que a distância é reduzida, e o sofrimento também.

(Nota: Podem consultar o percurso da maratona aqui)



Foto: brightroom



Já em cima da ponte Verrazano-Narrows (Staten Island-Brooklin), onde seria dada a partida, sentia-me preparadíssimo para a maratona. Treinos excelentes nos meses anteriores, com qualidade, sem lesões, recuperação rápida de treino para treino. Sem quaisquer dores ou cansaço no corpo (pés, pernas, joelhos...), bem dormido. Boa alimentação (hidratos de carbono!) nas vésperas e no próprio dia. Desperdícios líquidos e sólidos libertados. Café uma hora antes da partida, porque consta que promove a queima de gorduras, poupando valioso glicogénio. (Aha! Afinal não estou livre de drogas! Ok, ok, confesso que este ano devo ter tomado uma meia dúzia de cafés, todos por razões desportivas...) Corpo quente, graças às calças e casaco comprados no Salvation Army (US$4 pelas calças, US$5 pelo casaco!, para os poder deixar na partida no último minuto) e ao aquecimento de 10 minutos em corrida lenta. Dia espectacular: céu azul, quase limpo de nuvens, frio mas não gelado (entre 5 e 10ºC). Adrenalina em cima. Venham as 26 milhas!




Roupa do Salvation Army



Tiro de partida! Os primeiros atletas começaram a correr ao som de Frank Sinatra: “Start spreading the news...”. Na minha partida (havia três pontos de partida simultânea) ficámos a olhar para os atletas de elite a passar ao lado (pareciam ir devagar!), até que reparámos que o pessoal à nossa frente tinha começado a avançar e iniciámos a nossa peregrinação até ao Central Park.



Foto: brightroom



As duas primeiras milhas fizeram-se quase sem dar por elas, ultrapassando atletas na ponte. À entrada no Brooklin apareceram os primeiros dos milhões de espectadores prometidos, a fazer bastante barulho.



Foto: brightroom



Pouco depois surgiu a milha 3 e o km 5: “Já?! Isto está a passar rápido! Já lá vai quase 1/8 de maratona!”.



Foto: brightroom



No km 5 passei pelo primeiro tapete de detecção de chips (além do da linha de partida) e imaginei as bulicenas a serem actualizadas com o meu tempo e o pessoal a acompanhar à distância e a mandar apoio através de intensas radiações telepáticas! Cada vez que passava por um tapete – a cada 5 kms, na meia-maratona, em cada milha entre a 16 e a 26 e na meta – ficava sempre animado ao imaginar a informação a ser actualizada e os leitores das bulicenas a mandar mais energias de apoio. Obrigado pessoal!

Perto da milha 4 estavam a Sílvia e a Mei Yee, muito animadas e animadoras, no primeiro ponto combinado. Energia recarregada a 120%!





Irracional mas verdadeiro: correr em milhas é (psicologicamente) mais fácil! Cada milha que passava eram 1,6 km, em 3 milhas já lá iam quase 5 km... Apenas 26 milhas em vez de 42 km!! Fiquei surpreendido com a rapidez com que aparecia cada nova milha. A ajudar a passar o tempo claro que estava o público e os atletas companheiros de aventura, mas também os postos de abastecimento (a cada milha), que se viam de longe e davam logo aquele ânimo de “mais uma milha!” (ou “menos uma”).

O temido vento estava contra. Foi a primeira coisa em que tinha reparado ao sair de casa às 6:30 da manhã: as bandeiras esvoaçando para Sul... nem tudo pode ser perfeito. Durante a prova, notei o vento especialmente na 4ª Avenida no Brooklin, onde corríamos uma recta de Sul para Norte, entre as milhas 4 e 8. Ao verificar que conseguia manter o ritmo pretendido, deixei de reparar – afinal, não havia nada que eu pudesse fazer (experimentei algumas vezes ficar atrás de outros atletas, a ver se me protegia do vento, mas não senti grande efeito e acho sempre algo claustrofóbico ir “na cola”).



Foto: brightroom



Túnel de energia

No Norte do Brooklin, por volta da milha 10, o público estava incrivelmente animado. Na Avenida Bedford, num trecho um pouco mais estreito que tornava o público mais próximo e obrigava os atletas a correrem num pelotão mais compacto, formou-se um autêntico túnel de energia. Os espectadores gritavam alto, por vezes em resposta a um berro de um atleta mais inspirado, e formava-se uma ressonância espectacular: de repente éramos todos campeões olímpicos e os nossos depósitos de energia voltavam ao nível máximo (como nos jogos de computador, quando apanhamos um objecto que restabelece a energia a 100%). Obrigado pessoal!

Até perto da meia-maratona (13,1 milhas; ponte entre Brooklin e Queens) tudo foi bastante fácil, como deveria ser (se corresse a primeira metade em esforço provavelmente não conseguiria completar a maratona). O ritmo estava perfeito. Tinha alguma vontade de fazer uma paragem nas boxes (nos WCs portáteis disponíveis em cada milha) mas fui adiando a paragem até ao final e acabei por poupar esses segundos. Comecei a sentir as pernas e pela primeira vez lembrei-me de que em algum momento apareceria o senhor sofrimento.


Estádio olímpico

Na milha 16 (ponte de Queensboro, entre Queens e Manhattan) iniciei a contagem decrescente: 10 milhas para o final, 9, 8... Pela primeira vez fiz a conta básica: “10 milhas x 7'/milha = 70 minutos, a somar a 1h48' que já lá vão... quer dizer que mesmo que o meu ritmo piore para 7'/milha [a média estava em 6'47”/milha] ainda devo conseguir baixar das 3 horas!!”. Mas rapidamente pensei que 7'/milha não era assim tão lento, e que bem poderia acontecer que os últimos kms fossem mesmo muuuuito lentos e portanto tinha de me concentrar em manter o ritmo até o mais tarde possível.

À saída da ponte de Queensboro, ao entrar na 1ª Avenida em Manhattan, tornei-me o líder da maratona à entrada no estádio olímpico! Fortes aplausos, gritos ensurdecedores, energia, muita energia.... Ali estava uma ruidosa multidão (invisível e silenciosa para quem vinha na ponte) que se espalhava por umas três milhas.

Durante a milha seguinte olhei bastante para o público à procura de caras conhecidas que tinham combinado estar por ali. Mas a multidão era tão densa que a probabilidade de as encontrar era muito baixa. Foquei-me em apreciar o público e sintonizar as antenas para recolher energias telepáticas.

A longa recta entre as milhas 16 a 20 fez-se bem, com energia extra graças ao espectacular público. Apesar de não sentir calor, pela milha 18 decidi tirar a camisola de manga comprida, para ver se o frio me ajudava a superar os difíceis kms finais. Por essa altura passámos no posto de abastecimento de PowerGel, que nos recordava que as nossas reservas de glicogénio deveriam estar praticamente a zero e o “muro” poderia aparecer a qualquer momento...



Foto: brightroom



Onde está o “muro”?

Na milha 20 (km 32, famoso ponto a partir do qual o “muro” costuma atacar) entrámos no Bronx, mas logo na milha 21 saímos. A reentrada em Manhattan, a 5 milhas da meta (pouco mais de meia hora!), deu-me bastante ânimo: “só” faltava entrar no Central Park e terminar! As pernas estavam cansadas, algo doridas, mas ainda conseguia dar passadas normais. Surpreendido, não notei sinais do “muro”. Mas suspeitava que ele poderia aparecer a qualquer momento e nada estava garantido.



Foto: brightroom



Após a milha 22 iniciámos uma longa e razoavelmente inclinada subida na 5ª Avenida. Do lado direito estava já o Central Park! No fim da subida, após a milha 23 (5 kms para terminar! Só mais uns 20 minutos!!), entrámos à direita no Central Park e iniciámos uma montanha russa de duas milhas, com bastantes mais descidas que subidas (para alegria de todos os corredores), que me ajudaram a fazer uma 24ª milha razoável (voltei a fazer os cálculos - começava a ser difícil não fazer menos de 3 horas!!) e uma 25ª milha rápida (uma das mais rápidas de toda a corrida).



Foto: brightroom



Última milha!

Uma milha para o final e o muro não tinha aparecido!! Continuava razoavelmente lúcido (apesar de na foto parecer estar a dormir uma sesta...), nem sinais de quebra! Animei-me e dei ordens às pernas para acelerar ligeiramente o ritmo, dar tudo até ao final. E elas obedeceram!





Passei novamente pela Sílvia e pela Mei Yee. A concentração e o cansaço não permitiram distinguir os berros conhecidos entre os anónimos, mas com certeza que o apoio delas ajudou a tirar uns segundos naqueles metros finais!

Já era oficial: pela primeira vez em cinco maratonas não ia sentir o muro! Entrei na rua Sul do Central Park e vi ao fundo a estátua do Cristóvão Colombo, no Columbus Circle. Mais ou menos 1 km para a meta! Verifiquei também que aquela rua é a subir! Nunca tinha reparado, e já passei por ali tantas vezes. Não desanimei – mantive o ritmo forte e continuei a ultrapassar atletas mais cansados.

Meia milha para o final! Por essa altura passei pelo Miguel e pela Christine, cujos berros também não consegui distinguir da multidão. Estava totalmente focado na estátua do Colombo ao fundo e no ritmo forte para acabar.



Foto: brightroom



Finalmente entrei no Columbus Circle e virei à direita para o Central Park – meta a pouco mais de 400 metros! Olhei à volta à procura de caras conhecidas e encontrei logo o Paulo e a Ju, muito animados e com um cartaz com palavras de apoio que a velocidade não permitiu ler. Adrenalina bem em cima, a camuflar quaisquer dores ou cansaços. Tinha entrado no que me parecia um “ritmo louco” para voar os últimos metros.



Foto: brightroom



400 jardas para o final... 300 jardas... Quase não notei a última subida antes da meta... 200 jardas... A meta estava já ali! Cruzei a meta com a lucidez suficiente para “posar” para uma eventual foto final e só então parei o cronómetro: 2 horas, 57 minutos e 50 e tal segundos!! Missão cumprida!



Foto: brightroom



No mesmo instante em que senti a alegria do objectivo alcançado, a adrenalina eclipsou-se. As pernas, que momentos antes galgavam asfalto, agora não queriam nem andar! De repente, ficou frio! Foi então que comecei as duas milhas mais difíceis de todo o dia: caminhar até à saída do Central Park, na rua 85, e depois de volta ao Columbus Circle para encontrar os amigos e celebrar!





Tempos realizados vs. planeados

Eu próprio fico, modestamente, fascinado com a minha capacidade de estimar tempos de corrida. Demonstra um razoável conhecimento do meu corpo e das minhas capacidades. Como se vê na tabela abaixo, os tempos realizados na maratona foram muito próximos dos planeados (erro inferior a 1% em quase todas as milhas). Só houve uma ligeira divergência a partir da milha 16, porque eu tinha planeado ser um pouco mais rápido naquela fase da corrida, até à milha 22, e a partir daí tinha previsto “morrer” e ter de entrar num ritmo lento a que felizmente fui poupado!





O melhor público do mundo

Não sei se eram os 2,5 milhões estimados pelos organizadores (média de 60 pessoas por metro de percurso, ou seja 30 pessoas/metro de cada lado... parece-me um pouco exagerado), mas havia muita muita gente ao longo da maratona. Além das pontes, onde o público não tinha acesso, havia poucos metros sem gente. Mas, mais do que estar lá a assistir passivamente, como acontece em muitas provas, o pessoal em Nova Iorque faz questão de gritar, aplaudir, fazer barulho.

E o apoio não é anónimo, para o grupo de atletas em geral: sempre que possível, os espectadores identificam o atleta (por alguma palavra escrita no equipamento, às vezes simplesmente pelo número de prova) e dão apoio individualizado, gritando os nomes dos atletas, dos seus clubes, etc. No meu caso, porque levei na maior parte da prova, devido ao frio, uma camisola de uma corrida no Brasil, dos Bombeiros de São Paulo, de vez em quando ouvia “Go Bombeiros!”. Pode parecer que não faz grande diferença, mas saber que alguém olhou para mim e me dedicou um apoio especial energiza-me e responsabiliza-me: “tenho de ir bem!”.

Sem dúvida, o melhor público do mundo.

Devo confessar que fiquei um pouco desiludido com as bandas de música ao longo do percurso. As minhas recordações da maratona de Madrid'2001 eram de bandas talvez a cada 5 km, mas que tocavam tão alto que se ouviam uns 500 metros antes e uns 500 metros depois, e me deixavam com o ritmo na cabeça quase até à banda seguinte. Em Nova Iorque a maior parte das bandas eram pouco barulhentas e geralmente eu só reparava nelas no instante em que passava mesmo em frente. E como às vezes havia outra banda poucos metros depois, raramente dava para perceber o que elas estavam a tocar. Acho que nenhum ritmo ficou na cabeça por mais do que uns segundos. Acredito que menos bandas e mais barulhentas teriam maior impacto.

A maratona também proporciona prognósticos para as eleições presidenciais americanas: Obama vai ganhar. De vez em quando aparecia um espectador com um cartaz de apoio ao Obama (por exemplo “High fives for Obama here”) ou um atleta com algum dizer nas costas tipo “We can do it”. Zero para o McCain. No mínimo, por alguma razão, adeptos do Obama são mais propensos a participar e assistir a maratonas demonstrando publicamente as suas preferências políticas.


Os melhores voluntários do mundo

Segundo os organizadores, a maratona de Nova Iorque conta com mais de 6.000 voluntários, dedicados às mais diversas funções: dar indicações para garantir que os atletas chegam ao ponto de partida correcto na ordem correcta no momento correcto, oferecer abastecimento de água e Gatorade a cada milha, prestar assistência médica, indicar o caminho durante a corrida, felicitar e ajudar os atletas após a meta, etc. etc. etc.



Foto: brightroom



Mais impressionante que a quantidade de voluntários era que eles não só correspondiam à responsabilidade que tinham aceite, mas também mostravam genuíno interesse, alegria, preocupação pelos atletas. Nos postos de abastecimento, a cada milha, além de estenderem a mão com copos de água ou Gatorade, os voluntários gritavam palavras de incentivo “mile 12!”, “way to go!”, “you look great!”. Após a meta, dezenas de voluntários em fila aplaudiam e felicitavam os atletas pelo “great job!”. De vez em quando algum perguntava “are you ok?”, “do you need help?” com sincera preocupação. Seria impossível morrer ali sem ninguém dar por isso (ao contrário do que senti em Mumbai, onde logo após a meta entrei numa multidão de anónimos que facilmente ignoraria um corpo ali caído por vários dias).

Extraordinário. Verdadeiros voluntários, que, como o próprio nome sugere mas nem sempre corresponde à verdade, faziam o seu trabalho com vontade. Obrigado!


Os vencedores

Os vencedores da maratona foram ambos repetentes na façanha. A primeira mulher foi a inglesa Paula Radcliffe, recordista mundial na maratona e detentora de quatro dos cinco melhores tempos de sempre na distância, que já tinha vencido em Nova Iorque em 2004 e 2007.



Foto: brightroom



O primeiro homem foi o brasileiro Marilson Gomes dos Santos, que tinha vencido em 2006, surpreendendo a concorrência africana, que não fazia ideia de quem ele seria, com uma fuga na milha 20. Este ano ganhou após uma recuperação fantástica na última milha, quando ia em segundo a uns 10 segundos do líder.



Foto: brightroom



Cobertura televisiva

Aqui podem encontrar imagens televisivas da maratona: reportagem completa da NBC Sports (5 horas – óptima para ter uma ideia de tudo o que se passa à volta deste mega-evento), maratonas masculina e feminina completas (2h-2h30m – foco exclusivo nos vencedores), e resumos de dois minutos sobre os vencedores masculinos, femininos, de corrida e cadeira de rodas.


Próximas loucuras?

E agora que alcancei este objectivo e que a adrenalina se foi... que loucuras se seguirão?

Para já nada muito definido, mas com certeza surgirão ideias a executar! Esta semana é de repouso semi-activo para recuperar bem e rápido. Andar, nadar devagar, alguma corrida lenta e curta mais para o final da semana.

Dia 20 ou 21 de Dezembro tenciono participar no Troféu Marquês do Funchal de pentatlo moderno, em Lisboa, por isso vou concentrar-me em treinar natação e investir em corrida para ganhar velocidade (dentro do possível no relativo pouco tempo entre recuperar da maratona e a prova) e estar na melhor forma possível para nadar 200 metros e correr 3 km. As logísticas do tiro, esgrima e hipismo não facilitam o treino, portanto vou confiar que ainda me lembro como se fazem.

Quanto a maratonas, há sempre novos objectivos possíveis: até ao recorde do mundo (2h03'59”, do fantástico etíope Haile Gebrselassie, na maratona de Berlim deste ano) há muito a melhorar! Tenho pelo menos mais 4 a 6 anos para melhorar a minha forma física (o não menos fantástico e tuga Carlos Lopes foi campeão olímpico em Los Angeles'1984 – com recorde olímpico que durou até Pequim'2008 – aos 37 anos, e recordista do mundo na maratona de Roterdão em 1985, aos 38 anos!). Gostaria pelo menos de melhorar o meu recorde até às 2h48m, que era o tempo que esperava – talvez um pouco irrealisticamennte – ter conseguido fazer logo na primeira maratona. Para acreditar que posso fazer esse tempo, “basta” continuar a trabalhar velocidade/limiar anaeróbio para voltar a fazer 1h20' na meia maratona (ou menos – o meu recorde, de 2000, é 1h17') e resistência para aguentar um ritmo de 15 km/h (4'/km) durante toda a maratona, e escolher um percurso plano numa cidade onde faça bastante frio na altura da prova.

Irei dando notícias!

2008 ING NYC Marathon Alert

Latest Results at 12:42:12 PM:
Location Time Pace/mile
5km0:20:436:40
10km0:41:486:43
15km1:02:496:44
20km1:23:436:44
Half-Marathon1:28:156:43
25km1:45:106:46
Mile 161:49:246:50
Mile 171:55:076:46
Mile 182:01:516:46
30km2:06:086:45
Mile 192:08:356:46
Mile 202:15:296:46
Mile 212:22:276:47
35km2:27:476:47
Mile 222:29:216:47
Mile 232:36:056:47
Mile 242:43:096:47
40km2:48:516:47
Mile 252:49:496:47
Mile 262:56:266:47
Finish2:57:516:46

All times are unofficial. Times may vary in post race official results.


New York Road Runners

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A postos!

É já no Domingo: a maratona de Nova Iorque. Após meses de preparação, estou pronto para mais um desafio de 42,195 quilómetros. Depois de ter completado a maratona de Mumbai em 3h20min no dia 20 de Janeiro, o objectivo é agora bater o meu recorde pessoal na distância (3h03, na minha primeira maratona, há 8 anos) e terminar abaixo das 3 horas: 2 horas, 59 minutos e 59 segundos seria fantástico.

Como posso ambicionar melhorar o meu tempo em 20 minutos apenas nove meses depois? É fácil: há por aí uns laboratórios que produzem umas pastilhas espectaculares que nos fazem mais rápidos, mais fortes, mais resistentes, mais inteligentes e outros efeitos maravilhentos em muito pouco tempo. Brincadeira! No último ano talvez tenha tomado uma ou duas pastilhas para combater alguma constipação, mas de resto estou totalmente limpo – venham os controles anti-doping! Limpo de drogas, de álcool e praticamente de carne também... Como é que posso julgar-me capaz de tal desempenho?

Após a maratona de Mumbai analisei os factores internos e externos a influenciar para melhorar o meu tempo e defini a estratégia de ataque. [Aviso: os parágrafos que se seguem poderão ser esotéricos ou entediantes para os menos interessados em detalhes técnicos ou simplesmente palavrosos]


Factores internos

Para além da mente (psicologia), identifiquei os principais factores “internos” que eu poderia influenciar na minha preparação – a minha resistência, velocidade e peso:

Resistência: Claro que é preciso resistência (i.e., capacidade de realizar um esforço físico de longa duração) para terminar uma maratona. Essa resistência obtém-se fundamentalmente com treinos longos (no meu plano, até 36-37 km). Nesta preparação fiz mais treinos acima de 2 horas do que para maratonas anteriores (foram sete). E certamente bati o meu recorde de kms corridos em 7 dias seguidos: na semana entre 28/Set e 4/Out corri mais de 8 horas em 5 treinos, totalizando cerca de 110 km. Essa semana começou com a meia-maratona de Newport, que completei em 1h23'48” (não corria uma meia-maratona tão rápida desde Buenos Aires em 2005, e antes disso desde 2002). Quatro dias depois fiz um treino de 37 km e, depois de apenas um dia de descanso, corri uma nova meia-maratona (no Central Park), que esperava fazer mais devagar dado não poder ter recuperado ainda do treino longo, mas que terminei em pouco mais de 1h24'! Foi uma semana muito animadora para manter as aspirações de baixar das 3h na maratona.




Foto: Ken Shelton Photography

Na meia-maratona de Newport, por volta da milha 9 (alguma figura conhecida na foto? não, não me refiro ao tipo de barba...); nesta prova comecei a aprender a "correr em milhas"! quem diria que uma meia-maratona tem 13,1 milhas?



Velocidade: Correr uma maratona em 3h exige uma velocidade média (14 km/h) mais rápida que a minha velocidade habitual em treino (ultimamente perto dos 12,5 km/h). Desde que deixei o pentatlo competitivo em 1999 praticamente deixei de fazer treinos rápidos de corrida e passei a participar em provas com reduzida frequência – por isso tenho perdido bastante velocidade. Nas vezes em que treinei para as anteriores maratonas nunca consegui fazer treinos de velocidade ao mesmo tempo que aumentava a quilometragem (estava tão cansado a recuperar dos treinos longos que era impossível pensar em treinos rápidos, além de que há sempre um maior risco de lesão quando se aumentam as duas variáveis: volume e intensidade). Desta vez decidi arriscar e fiz, pela primeira vez em bastantes anos, séries de corrida (repetições de 400, 800 e 1000 metros) e treinos de limiar anaeróbio (20 a 40 minutos a ritmo de meia-maratona). São treinos mais duros, de algum sofrimento, mas que geram um estranho bem-estar pós-treino e que me fizeram sentir cada vez mais forte e mais rápido, sem ficar cansado nem lesionado – recuperei muito bem de um treino para outro.

Peso [queridos pais, podem saltar este parágrafo!]: Sem dúvida, se eu pesar menos conseguirei correr mais rápido com o mesmo esforço. Entre Abril e Julho, sem qualquer esforço nesse sentido, simplesmente graças a uma maior actividade física (juntando a natação e o ciclismo à habitual corrida) e alimentação mais regrada (menos açúcar e menos gordura), perdi cerca de 3 kgs. Pela primeira vez em 15 anos a minha avó e os meus pais podem afirmar com verdade “estás mais magro!”. Nos últimos 15 anos o meu peso tinha sido praticamente constante: uns 66 kgs (excepto dois períodos “negros” em que cheguei a escandalosos 69 kgs). Depois de ter perdido estes 3 kgs que pensava ser impossível perder, concluí que ao longo do tempo tinha transformado músculos em gordura – agora noto que realmente a minha barriga e as minhas pernas estão mais “secas” (segundo algumas medições – sabe-se lá se fiáveis – efectuadas em Julho, a minha taxa de gordura corporal era inferior a 10%).


Factores externos

Os principais factores “externos” que identifiquei, influenciáveis ao escolher a maratona a correr, foram o clima, o percurso e a animação:

Clima: Já pude observar que o meu desempenho sofre bastante com a temperatura ambiente. Mais frio, mais rápido. Mais quente, mais lento e mais cansado. Isso foi especialmente evidente nas quentes e húmidas maratonas de Singapura (2003) e Mumbai (2008). Por isso já tinha decidido há algum tempo que teria de escolher uma maratona “fria” para bater o meu recorde. Nova Iorque é excelente: segundo o site da prova, a temperatura média no dia da prova tem sido de 13ºC. No fim-de-semana passado achei que ainda não estava suficientemente frio e pensei como seria bom se arrefecesse um pouco... Alguém me ouviu e decidiu regular o termóstato para os 4-5ºC... brrrrrrrr! Agora estou a achar que está demasiado frio e já nem sei bem que devo vestir para a prova. Uma variável climática que não tinha considerado é o vento: aqui venta forte e, infelizmente, nem sempre a favor. O percurso da maratona é mais Sul-Norte do que Norte-Sul... portanto o sentido em que sopre o vento será determinante para eu manter ou não as minhas ambições de tempo final.

Percurso: Claro que um percurso plano é mais fácil que um percurso com subidas e descidas (melhor que plano só o percurso da meia-maratona da Ponte 25 de Abril, que só tem descidas!). Segundo os entendidos, o percurso da maratona de Nova Iorque é duro, especialmente devido às subidas (as principais ao cruzar pontes – vejam aqui a altimetria), ao vento, e às multidões de público e atletas que fazem os 42 km um pouco mais longos (por ser difícil percorrer sempre o caminho mais curto possível). Não foi uma escolha perfeita, mas acredito que o frio e as multidões (irradiadoras de energias positivas) ajudarão a vencer as subidas e o vento contra.





Animação: Das quatro maratonas que fiz até hoje, apenas uma (a de Madrid'2001) tinha um número decente de participantes e uma quantidade simpática de espectadores animadores. Lisboa'2000 e Mumbai'2008 tinham poucos participantes (uns 500) e muito pouco público, e a de Singapura'2003 tinha mais participantes (uns 2.500) mas também pouco público. No Domingo não me poderei queixar de companhia na prova: 39.000 atletas e dois milhões de espectadores! Mais de 120 bandas a tocar (lembro-me de ter sido das coisas que mais apreciei em Madrid, onde só havia uma meia dúzia de bandas)! E ainda, ao contrário de Mumbai em que não havia absolutamente ninguém mais próximo a dar apoio ao vivo e em directo, terei vários amigos cujos gritos de incentivo espalhados pelo percurso me carregarão de energias pelos seguintes kms. Com certeza não faltarão energias positivas. Mas se por acaso faltarem, naqueles sempre penosos 5 kms, perdão, 3 milhas finais, posso sempre pôr-me a cantarolar algo que me anime a continuar a remar com bom ritmo:






Apoio à distância

Agradeço as palavras de apoio que tantos amigos e familiares têm transmitido ao vivo, telefónica, electrónica e telepaticamente. Obrigado!

Se quiserem acompanhar a prova sem esperar pelas minhas eventuais notícias, visitem as bulicenas no Domingo. Começo a correr às 9h40 da manhã, hora local (14h40 em Lisboa). Se as tecnologias funcionarem como esperado, as bulicenas serão actualizadas com os meus tempos de passagem a cada 5 kms, meia-maratona, milhas entre a 16 e a 26, e meta.

(Se falhar algum ponto, antes de ligarem para o 112, o 911 ou o +1-555-MARINES, pensem que pode ter sido simplesmente a falha de alguma tecnologia pelo caminho: o sistema de chip e respectivo detector que controla as minhas passagens, a comunicação entre esse detector e o sistema de informação que por sua vez está ligado a algum outro sistema que envia e-mails de aviso que são recebidos em algum servidor do google que por sua vez os publica nas bulicenas, às quais vocês acedem através de algum fornecedor de acesso à Internet – e com certeza tudo é muito mais complicado do que esta minha simplificação ignorante... Cheira-me que a probabilidade de alguma destas ligações falhar é bastante maior do que a de as minhas pernas, coração ou cabeça falharem.)

Se além da possibilidade de consultarem as bulicenas quiserem receber e-mails de aviso sobre o meu progresso na prova, podem inscrever-se aqui .

Podem ver os meus tempos planeados para Domingo aqui:





Não “orçamentei” velocidades diferentes nas subidas e descidas (uma sofisticação a adicionar numa próxima ocasião), mas tive em conta o facto de nunca nas quatro maratonas anteriores ter conseguido manter o mesmo ritmo nos quilómetros finais: nos primeiros 30 e poucos quilómetros tentarei manter um ritmo ligeiramente mais rápido que a média, esperando que o ritmo lento no final não me faça falhar o objectivo das 2h59'59”.


Curtir a corrida!

Estou ansioso por começar a correr. Há bastantes anos que não me sentia tão ansioso por começar uma competição (parece que vou para um campeonato do mundo de pentatlo!). Talvez porque há bastantes anos que não investia tanto numa prova? E que não me colocava um objectivo que me parece tão... desafiante?

Na minha primeira experiência aprendi a respeitar muito a “senhora maratona”. Sei que muita coisa pode acontecer que não me permita fazer o tempo desejado. Ou sequer concluir a prova! Acima de tudo, no Domingo quero curtir a corrida (“curtir 42km a correr??!?!”), o ambiente único desta maratona, os 39.000 atletas (juntos percorreremos o equivalente a 40 voltas à Terra!) com os seus desafios individuais, as suas emoções, as suas dificuldades e as suas vitórias, os dois milhões de espectadores a apoiar amigos e anónimos, as mais de 120 bandas a tocar estilos diferentes mas certamente com ritmos inspiradores, os amigos prontos a descarregar injecções de energia directamente na veia, as vistas de Staten Island, Brooklin, Queens, Manhattan, Bronx, Central Park... ah sim... aquela vista extasiante da meta no Central Park, que teima em não chegar!